
Kelly não tardou em encontrar um espírito irmão em Charles Schulz que com Peanuts (A Turma do Charlie Brown-1950) levou ainda mais longe a análise intelectual, orientando-se mais para a psicologia e a metafísica. Seus heróis não são animais e sim crianças na fase pré-escolar. Essas crianças raciocinam e agem como adultos, há situações em que a comédia é apenas um véu sobre a tristeza latente, a crueldade que se esconde sob o riso dão a Peanuts um caráter agridoce e uma sutil ambiguidade que as vezes é desconcertante. O sucesso de Peanuts foi instantâneo e mais brilhante que o de Pogo. Pelos seus esforços e talento, Kelly e Schulz conferiram aos comics o seu título de nobreza, e asseguraram o nascimento e desenvolvimento da história em quadrinhos intelectual.Em 1956, a história em quadrinhos encontra o seu primeiro anti-herói na pessoa de Bernard Mergendeiler, um patético fracassado, devorado por tiques e complexos. Seu
criador foi Jules Feiffer, autor de uma história intitulada simplesmente Feiffer. O universo de Feiffer é o mais negro e o mais depressivo jamais pintado pela história em quadrinhos. Jovens sem destino, mulheres neuróticas, amantes que se desconhecem, introduzem-nos num mundo de desumanidade em que toda a comunicação e troca de idéias são impossíveis, em que nada acontece e nada se faz. Paródia de uma paródia, Feiffer pode reinvidicar sem contestação o título de "primeira anti-história em quadrinhos".Pesquisando mais profundamente, uma observação nos indica que, além do caráter filosófico, as histórias em quadrinhos intelectuais apresentam uma notável unidade estética. As afinidades de seus criadores seguem o mais rigoroso de todos os meios de expressão artística: o teatro. Não existem primeiros planos, longas falas ou espaços panorâmicos. Nós só sabemos que os personagens desejam falar deles mesmos e o único espaço que nos é permitido ver é aquele definido pelo retângulo do quadro. O cenário é apenas pano de fundo e sua feitura reflete o desígnio ou o estado de espírito de seus autores.
Nasciam então as soap operas.
Estas histórias nos remetem as lacrimosas novelas e romances melodramáticos. A precursora e modelo do gênero foi Mary Worth´s Family, de Martha Orr. Nascida em 1932 como Apple Mary, ela teve um caráter populista que se harmonizava bem com o clima da grande depressão. Em 1940, Martha Orr deixou a história que foi retomada sob o título atual por Allen Sauders e Dale Connor, que assinavam pelo pseudônimo de Dale Allen. Essa série só tomou seu título em carater definitivo em 1947 com a saída de Dale Connor, substituído por Ken Ernst, que deu a Mary Worth suas inegáveis qualidades gráficas. Mas sob estas novas e brilhantes vestes, podemos reconhecer a trama gasta e os ouropéis do velho melodrama. Essa fórmula teve grande sucesso e levou o Publishers Newspaper Syndicate, uma filial das empresas Marshall Field criada pouco antes da guerra e distribuidora da história, a se especializar nesse gênero que os americanos apelidaram saborosamente de soap opera (traduzido como ópera de sabão).
Em 1948, Xavier de Montepin (antigo psiquiatra), Marvin Bradley e Frank Edgington (desenhistas), contam as lacrimosas aventuras do jovem médico Rex Morgan em Rex Morgan M.D. . Rex Morgan foi seguida por Judge Parker (1952), relatando casos de consciência que podem ocorrer a um escrupuloso magistrado em O Apartamento 3-G de 1962, que pinta as vicissitudes sentimentais de três garotas que moram num mesmo apartamento. Uma contribuição de valia ao gênero lacrimoso foi feita de 1953 por Stan Drake que criou para
a K.F.S. (King Features Syndicate), a novela gráfica The Heart of Juliet Jones. As romanescas aventuras da heroína Juliet, eterna virgem, e de sua irmã Eve, são de natureza a comover até os corações menos sensíveis. O estilo de Drake é seguro, penetrante e atraente e seus roteiros não são mais absurdos que os outros do mesmo gênero.



1 comentários:
Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu
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